Friday, November 16, 2007

Atualizações telegráficas

Estou resfriada e a Graça (minha psiquiatra e amiga) disse para eu tomar Tamiflu. Eita remedinho caro! Eu me pergunto se estou tentando matar passarinho com canhão. De qualquer forma melhorou um pouco... mas ainda estou dodói.

Meu escritório já está em casa. Estou adorando ter um escritório em casa, porém isolada para poder me concentrar. Sobra mais tempo para tudo!

Voltei às aulas de artesanato! Estou gostando muito. Fiz uma caixinha ultrabem lindinha revestida com um motivo de música. Vou dar ainda uma envernizada e quando tirar uma foto da caixinha vou pendurar aqui, tá?

Daqui a pouco vou para Campos. Na terça será o dia da Consciência Negra (uma dessas babaquices de Lula) e mataremos a segunda-feira. Então ficaremos lá até terça. Trabalho na quarta e quinta e na sexta à tarde volto novamente para Campos! Delícia.

Estou lendo um livro MUITO bom. A Menina que Roubava Livros, (The Book Thief, no original)Autor: Markus Zusak. Novamente a crítica diz se tratar de obra romance juvenil. Acho que se trata de um romance sem uma faixa etária como público-alvo. Será apreciado por jovens e por adultos.
Vige ... este é o segundo livro catalogado como juvenil e que eu não concordo com a classificação. Será que estou ficando boboca e começo a gostar de literatura juvenil?

Ciao... Fui

Sunday, November 04, 2007

--O golpe manjado, meus nervos em frangalhos --

Sofri um golpe muito difícil de esquecer. Mal consigo rememorar para aqui expor sem sentir os nervos todos se retesarem, o pescoço ficar duro e uma ligeira náusea. Para evitar escrever tudo de novo, faço apenas uma cópia ligeiramente modificada do e-mail que Joaninha escreveu aos amigos dela, que reflete o que aconteceu.


O golpe é velho (depois de um mês pode-se dizer que se torna obsoleto qualquer golpe de estelionato organizado pelo PCC, Comando Vermelho e etc, já que outros muito mais sofisticados surgem na praça). E este é velho mesmo: no meio da madrugada, teu telefone toca e alguém grita: "mamãe! mamãe! me ajuda!". Se você não tem filhos ou se os teus
estão nos braços de Morpheus no quarto ao lado, você faz 'tsc tsc', vira e dorme. Se você tem filho (a), poderá achar que aquela voz desesperada é a dele (a). Pudera: voz chorosa é um pouquinho diferente da real. Segundo o policial: "voz de moça chorando é tudo meio igual".
Sono misturado com susto e qualquer semelhança no timbre vocal, pronto: o enredamento tá quase no papo. Depois, um sujeito assume o telefone e avisa que seu filho (a) foi sequestrado. Se você cair na lábia, começa a novela de pedidos de dinheiro, cartão telefônico, jóias,
eletrônicos em troca da vida do teu filho.

Nada de novo, certo? Nada. Mas, a despeito de tanta divulgação, por que o golpe continua sendo aplicado? Porque funciona. Simples assim. Segundo o policial, a cada cinquenta telefonemas, dois dão certo. Por que uma pessoa, mesmo que informada cai nessa? Porque a coisa é muito bem feita.

Mais do que isso: os golpes são refinados a todo momento, de modo que ele virá com alguma pequena variação que fará você pensar: "o que garante que não é um golpe e ele está mesmo sequestrado?". Por que a mãe/pai não desliga o celular e antes de entrar em pânico ligam para o filho? Porque os caras não te deixam desligar, sob ameaça de morte do filho. E na tua cabeça passará: "e se o celular dele (a) tocar ao lado deles? eles matam". Você simplesmente não checa. Além disso, discernimento e senso de obviedade funcionam em condições normais de temperatura e pressão. Não nessas. E, que quando se trata de pais/mães, menos ainda. Não menos importante é a possibilidade (fantasiosa, ok) do sequestro ser real: segundo o policial muitas notícias de sequestro começam de forma parecida (embora o desenrolar seja tecnicamente muito diferente).

E quando o golpe é duplo? Para a mãe: "tua filha e seu namorado foram sequestrados". E para você: "tua mãe foi sequestrada".

Resumo da ópera: na hora "H", nem sempre o que se lê e se sabe controla teu comportamento. Com isso, acho que vale a pena também divulgar o que fazer quando há a
desconfiança sobre ser ou não ser golpe: pegue um pedaço de papel e peça para a pessoa do lado (ou o porteiro, ou o frentista) ligar para o suposto sequestrado (certamente, se estiver sequestrado de fato, já terão ligado desse celular ou aceitarão a chamada com todo prazer). Peça a alguém que fale com a polícia o mais breve possível para que ela possa dar orientações. Procure pedir a alguém que contate as pessoas mais próximas e as deixe em sobreaviso. Outra coisa: eles trabalham com o efeito exercido por um celular ligado o tempo todo a eles para tentar que a vítima não se comunique com o sequestrado (sob a ameação de matar o seqüestrado se vc. desligar o fone). Ademais, mesmo que você desligue o celular, eles continuam ligando incessantemente no celular até acabar a bateria. Então, procure levar o carregador caso resolva sair de casa para tentar resolver algo (ou fazer um B.O).

Ah! E respire. Vamos lá. Técnica para ansiedade: inspira em quatro tempos, segura quatro, solta em quatro, espera mais quatro. Devagar pra não dar tontura. A outra possibilidade para quem quer (e pode) é pensar muito bem antes de escolher entre "ame ou deixe-o" e, então, dirigir-se o mais rápido possível para o aeroporto (desculpe a agressividade da última frase, mas quando é tua vez, é irresistível).

Pois é. Foi isso o que conosco aconteceu.
No meio disso tudo tive meu notebook extorquido, onde constava o telefone/endereço e/ou e-mail de muitos amigos, colegas e clientes. Havia também os números das agências e das contas corrente onde tenho minhas poucas aplicações. Felizmente nada de senhas...

Last but not least.. Tiro o chapéu para a Polícia Rodoviária. Gentil, pronta para ajudar, eficientes e humanos. Basta dizer que como nosso dinheiro estava acabando, um deles sacou R$20,00 do próprio bolso para que pudéssemos ter um extra para pagar os pedágios de volta.

Tiro o chapéu para Neal. As atitudes de Neal me deixaram agradecida e emocionada para o resto de minha vida. Ele esteve presente o tempo todo me ajudando e em certo momento oferecendo a própria vida por mim... uma história que contarei quando estiver menos traumatizada.

Espero ter coisas mais prazeirosas a contar em futuro breve.
Na próxima sexta-feira estarei mudando (sim! gerúndio no local certo agora!) meu escritório para casa. Mais uma fase de adaptação e depois espero poder sossegar por algum tempo... Haja coração.